Hoje eu acordei me sentindo estranha, a saturação estava boa 96/97, mesmo assim minha respiração estava estranha, o ar que antes parecia queimar ao entrar, passou a gelar causando um desconforto. A tosse continua com secreção, se deito o nariz tranca, parece um resfriado quando está começando. Na hora do almoço o desconforto piorou e decidi ir num pronto atendimento aqui perto, a médica pediu uma tomografia urgente. Minha pressão subiu um pouco (14/10) e os batimentos oscilavam com uma distância muito grande e irregular. Liguei pro marido e ele me levou naquele primeiro hospital, chegando lá foi assustador, estava lotado desde o estacionamento, uma enfermeira na porta tentando explicar para as pessoas com sintoma de covid que não havia como atender, parecia aqueles hospitais públicos do Rio de Janeiro que aparecem na TV, algumas pessoas imploravam por atendimento, vcs tem noção que era um hospital particular? Quase voltamos pra casa, afinal, quem aguentou saturação 88 em casa...algo lá no fundo me disse para ir em outro, que eu nunca tinha ido. A triagem demorou um pouco, pq muitos estavam vindo daquele outro hospital. A tontura era tanta que precisei de cadeira de rodas, esqueci de contar da tontura ontem, cheguei a cair da cama quando fui levantar, ficou tudo branco com pontos de luz, isso virou frequente, até quando sentada tudo parecia girar. Chegando no atendimento uma médica muito boazinha me atendeu, mostrei meus exames e pela escuta pulmonar pediu outra tomo. Ah! Desde o momento que cheguei foi colocado o monitoramento em mim, achei bem bacana esse cuidado. O primeiro procedimento foi a gasometria (oh não) dessa vez foi no outro braço, pegou de primeira, só que infelizmente a cada frasco a artéria era perdida. Não senti dor durante o procedimento e acompanhei tudinho. Menos de dois minutos começou a ficar vermelho na região, como se fosse uma alergia, o braço começou a inchar, ficar duro e doer muito, as pontas dos dedos começaram a formigar e eu comecei a ficar apavorada, o enfermeiro correu para pressionar e chamou a médica, nisso todo o meu corpo começou a formigar, inclusive meu rosto. Eu já não conseguia falar, não sentia meu corpo e me deu um medo muito grande, só conseguia pensar na hipótese de estar tendo algo grave e morrer. Só queria abraçar meus filhos, pois já fazia dias que não os abraçava. De repente ouço a médica chamando o neuro, me apavorei mais ainda, um outro médico do plantão começou a fazer procedimento de avc, lembrei do meu cardiologista dizendo que pela minha aterosclerose era muito mais fácil eu ter um avc do que um infarto. Tudo de estranho passou na minha cabeça e eu já não conseguia falar nada, só sentia as lágrimas escorrendo pelos meus olhos, pq meu corpo parecia estar anestesiado. Ouvi o enfermeiro falando da minha pressão 17/12 e meus batimentos 187, nessa hora eu procurei manter a calma e analisei que se eu estava entendendo tudo aquilo poderia ser qualquer coisa, menos um avc, ufa! Antes de ter esse discernimento, chegou a passar na minha cabeça que eu preferia morrer do que ficar em estado vegetativo dando trabalho para minha família. Acho que foram os minutos mais longos da minha vida tirando quando o Davi entrou em choque anafilatico ou quando a Bella teve um TCE. Eles colocaram um diazepinico debaixo da minha língua e eu entendi que tive uma crise de ansiedade ou pânico devido ao susto com meu braço. Acho que devo ter dormido, pq quando olhei no relógio já era tarde da noite e o mais intrigante, uma mensagem no meu relógio dizendo que minha frequência tinha ficado muito alta e era para eu procurar ajuda médica hehe. O relógio não estava mais no meu pulso, estava junto com meus óculos e máscara que foram tirados nesse processo. Fui fazer a tomo e o eletro, acusaram a pneumonia e miocardite. As lesões de vidro fosco consolidaram, assim como a médica do pronto atendimento suspeitou. Pois é, já pensaram se eu não tivesse ido? Falando nisso, levei uma bronca singela por não ter ido ao hospital quando minha saturação estava baixa e com falta de ar, que pelos meus exames era para eu ter ficado internada. Tive mais sorte que juízo! Preciso aprender que não posso ficar me fazendo de forte, uma hora não dá tempo de receber os cuidados necessários. Enfim, fui liberada, chegar perto das pessoas só daqui uns 5 dias ainda, mais um antibiótico, corticoide de novo e continuar controlando minha arritmia e hipertensão pq muito provavelmente foi o que me salvou de algo mais grave ainda. Sigamos em frente!
Ah! Já ia esquecendo, estou com o braço inchado e mega dolorido, não consigo esticar. Vamos ficar de olho e se precisar terei que procurar ajuda. Outra coisa importante foi que enquanto eu estava no hospital, a unimed entrou em contato comigo para informar que marcaram com o infectologista. Ufa!
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